O mito da idéia de um milhão de dólares

Na corrida do ouro moderna do qual empresas de tecnologia nascem hoje e são vendidas por alguns milhões de dólares na semana seguinte, uma multidão de novos *empreendedores* tem surgido… e isso é ótimo. Essa nova cultura de empreendedorismo tem favorecido muito os desenvolvedores independentes tornando possível transformar simples ideias em produtos e empresas de sucesso. Sempre que tenho uma ideia fico pensando se esta teria valor como produto se executada. Gosto de discutir sobre alguns desses insights com amigos e não me espanta o fato de alguns deles terem pensado em algo parecido. Estamos sempre buscando soluções para as tarefas do cotidiano por meio da tecnologia, pensando em como facilitar a vida das pessoas, promover a interação social e etc… acho que isso é natural na nossa área, no entanto, qual o real valor de uma ideia?

Quem trabalha na área sabe que é exceção alguém que não tem uma super ideia de um app, site ou serviço, só que ele não pode contar, vai que alguém rouba sua ideia não é? As vezes tendemos a supervalorizar nossos pensamentos e nos enganamos. Algumas sacadas que parecem geniais nem sempre dão certo, outras nem tão brilhantes são um sucesso, e isso prova que a execução é igualmente, ou até mais importante do que uma simples hipótese. No livro The Lean Startup, Eric Ries fala sobre o receio que alguns empreendedores tem de criar um MVP com medo de alguém roubar a sua ideia:

“(…) a objeção mais comum que escutei ao longo dos anos construindo MVPs é o medo de que os concorrentes – em particular grandes empresas estabelecidas – roubem as ideias de uma startup. Quem dera fosse tão fácil ter uma boa ideia roubada! Parte do desafio especial de ser uma startup é quase a impossibilidade de ter a ideia, a empresa ou o produto percebidos por qualquer um, quanto mais por um concorrente. De fato, muitas vezes dei a um empreendedor com medo desse problema a seguinte missão: considerar uma das ideia, descobrir o nome do gerente de produto pertinente de uma empresa estabelecida e tentar fazer com aquela empresa roube a ideia. Ligue para ele, escreva-lhe um memorando, envie-lhe um press release – vá em frente, tente coisas assim. A verdade é que a maioria dos gerentes já está sobrecarregada com boas ideias. O desafio deles está na priorização e na execução, e são esses desafios que dão a uma startup a esperança de sobrevivência.

Quando você tiver aquela ideia genial tenha certeza de três coisas:

  • Alguém já teve essa ideia;
  • Alguém está tendo essa ideia agora;
  • Alguém ainda vai ter essa ideia.

A diferença está em quem tem a ideia, faz primeiro e faz bem feito, ou pelos menos tenta. Alguns produtos de sucesso nem sempre implementam algo que nunca tenha sido feito antes, eles simplesmente reinventam ou propõem uma nova forma de fazer algo que já existe. A Apple por exemplo, faz isso muito bem. Os telefones celulares já existiam quando o iPhone foi lançado, mas eles repensaram e executaram melhor a ideia, reinventaram.

A título de exemplo veja o Evernote. Existem milhares de outros produtos com a mesma proposta – fazer anotações – e muitos deles surgiram até antes, porém, devido a excelência e foco o Evernote reinventou esta simples tarefa. Claro que existem outros fatores envolvidos no sucesso de uma empresa como o Evernote, mas independente de qualquer coisa acredito que isso define bem a importância do fator “execução” no sucesso de um projeto.
Em meio a tantos produtos surgindo todos os dias, inovar com qualidade é um grande desafio, entretanto, o conceito de inovar tem se perdido ultimamente, se você cria algo criativo e inovador mas que ninguém usa, não acho que você tenha inovado de verdade. Gosto do conceito do Drucker sobre inovação que diz o seguinte:

“Uma empresa só inovou, de verdade, quando o cliente reconheceu, valorizou, e se dispôs a pagar.”

Empreender não é uma tarefa fácil, requer resiliência, persistência e todas aquelas outras palavras que você encontra nos livros do Augusto Cury, mas além de tudo isso também requer experiência. Por isso acredito que fracassar seja o primeiro passo para o sucesso.

Caminho para o sucesso

Caminho para o sucesso

Tem um texto bem legal do Marco Gomes, fundador da boo-box, que diz que você só é um empreendedor se tiver produto, dinheiro, time e cliente, caso contrário, você é só alguém com uma hipótese.

Concluindo, ninguém é dono de uma ideia e por mais autêntica que ela possa ser a execução é parte fundamental para o sucesso de um projeto. Até agora não vi ninguém comprar uma ideia por um milhão de dólares, mas já vi vários produtos e serviços serem vendidos por bem mais que isso, logo, talvez seja hora de escolher uma e começar a fazer.



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